Um drink com Garth Ennis e Steve Dillon

Garth Ennis e Steve Dillon

Imagine a cena: É uma bálsama noite de agosto em San Diego, Califórnia. A comic-com já fechou por hoje e uma multidão de fãs está se dispersando em procura de álcool ou um lugar para sentar. Uma mulher nervosa senta em um bar silencioso, virando agradecida um alto copo de Sierra Nevada Pale Ale que continua brilhando em sua frente. Um homem parece se divertir. Os dois batem um papo. A mulher calmamente fica bêbada enquanto eles esperam as suas companhias chegarem.

Nunca fique muito tempo com um irlandês, especialmente se você é um americano com o estômago vazio.

Naquela hora Steve Dillon chegou, eu estava um lixo e Garth estava caçoando disso. (Ele tinha bebido a mesma quantidade de cerveja, mas nem parecia alegre. Desgraçado.) Nós nos mudamos para uma mesa do lado de fora então Dillon e eu podíamos fumar, e eu poderia ter uma entrevista decente apesar da - ou por causa da? - minha baixa tolerância de liquor...

Sequential Tart: Vamos começar com a Internet. Eu os avisei sobre isso.

Ennis: Oh, sim, por que eu odeio a Internet. Eu não odeio a Internet exatamente. Quer dizer, você tem que lembrar que várias pessoas vêem os comentários que eu faço na coluna de cartas de Preacher. E, uh, é possível que eles levem isso mais a sério do que o resto [o que eles escutam]. Eu tenho certeza que a Internet é uma incrível e útil ferramenta. Mas eu não estou disposto a usá-la em nenhum momento de um futuro imediato porque eu não tenho um computador. O que eu não gosto sobre isso? Eu lamento muito pela maneira como os rumores voam por todo lugar e da maneira que você diz que existem pessoas que não sabem lidar com isso. Eu acho que deve existir provavelmente algum tipo de curiosidade legítima para as opiniões que aparecem na Internet. Pelo que eu posso ver, sua opinião não é mais ou menos legítima porque está impressa ou porque está em uma tela de computador do que quando você está apenas falando publicamente. Não é mais ou menos legítima do que uma conversa que duas pessoas estão tendo em um bar, mas quando as pessoas me dizem: "sabe, eles estão dizendo 'x' na Internet", eu penso: "bem, foda-se". Eu não consigo me concentrar em conversas que as pessoas estão tendo em bares por todo o mundo. Sabe, seria mais útil pensar em cancelar [os rumores]. Então por que eu deveria me preocupar com o tipo de coisa que está saindo na Internet? Está além de mim.

Dillon: Nós temos dito que há uma encruzilhada entre uma conversa normal e escrever cartas. E escrever cartas dá as coisas uma certa solidez e validade que a Internet não dá. É por isso que você tem que tomar cuidado, porque o que vai lá é lido por várias pessoas. Então, isso fica enorme muito rápido nesse meio. As pessoas que não se preocupariam em dizer algo em sua cara colocariam isso rapidamente na Internet. E vários rounds se iniciariam. Mas eu acho que, apesar de tudo, não é ruim. Eu não ligo pra isso.

Ennis: Quando eu recebo algum e-mail mandado pela DC, eu fico com um monte de cartas e um monte de diálogos de Internet. Eu gosto de dizer que eu não dou legitimidade para um mais do que outro. Pelo que eu sei alguém que coloca sua opinião na Internet não tem mais legitimidade do que alguém que me escreve uma carta. Por isso eu não ignoro um ou outro.

Dillon: Há certamente várias pessoas que está lendo rumores na Internet e tende a levá-los mais a sério do que se eles apenas ouvisse em um bar, o que é perigoso. Por causa de toda a tecnologia envolvida, as pessoas tendem a acreditar nas coisas. É como olhar para a tela da tv. As pessoas tendem a aceitar as coisas que eles vêem na tv ou nos programas de noticiário como basicamente verdade. Fica checado ou algo assim. E quando algo é lançado com uma nova tecnologia... e sai: "Garth Ennis vai fazer isso". Você está mais propenso a acreditar nisso do que em alguém que te disse a verdade. E isso pode ser preocupante, porque várias pessoas ficam falando do seu traseiro o tempo todo, até na Internet.

Ennis: Quando eu termino de escrever por aquele dia ou coisa assim, eu não desejo sentar entre pessoas e conversar sobre hqs. Se eu procuro alguns amigos como Johnny [McCrea] ou Steve [Dillon], alguns amigos que eu fiz na indústria que eu considero não menos que os amigos que eu fiz fora dela, mas obviamente pela virtude do fato que a gente se conheceu na indústria, isso é uma coisa. Mas é apenas uma das muitas conversas que você tem com seus amigos. Mas eu não tenho nenhum desejo de sentar por aí e conversar sobre o trabalho que eu acabei de terminar. Eu prefiro fazer algo diferente. Ir ver os amigos, conversar sobre algo mais, ler um livro, ver um filme, descansar. Eu realmente não quero passar um boa parte do tempo sentado na frente da tela do computador e conversando com pessoas, a fundo, sobre o que eu terminei naquele dia. Entende.

Dillon: (sorrindo maliciosamente) E os computadores te dão câncer também.

Ennis: Verdade. Eles te fazem ficar cego.

Dillon: Especialmente se você estiver em páginas pornôs. (risadas)

Ennis: É. Daí é duas vezes mais rápido.

Sequential Tart: Isso explica a prescrição dos meus óculos. (sorrindo maliciosamente)

Ennis: Na verdade, também, eles vão todos se conectar e dominar o mundo. Vai ser como em O Exterminador do Futuro. E todas as pessoas da Internet serão como, você sabe, ficando lá com elas, e (batidas na mesa) você vai abrir e vai ser o Arnold.

Dillon: Não muito longe disso. Como se o bug do milênio matasse todos eles.

Ennis: Sabe, quando isso acontecer, quando o bug do milênio atacar, minha máquina de escrever ainda estará boa.

Sequential Tart: Preacher vai acabar na edição de que número?

Ennis: Sessenta e seis. Quer dizer, da forma que eu trabalho, eu planejei a última Salvação para a edição quarenta e oito com dois epílogos. Uma é o Jesse pegando Peyote, a outra é Vietnam. Cinqüenta e um a cinqüenta e dois é a origem de Tulip, e então quatorze edições. Dois arcos de histórias uma relacionada à outra. Cada uma com sete episódios.

Sequential Tart: Eu fui cobrado para te perguntar essa: quando a gente vai ver o Cassidy fazer sexo? (risadas)

Ennis: Sabe, pensando nisso, talvez você veja. Se isso acontecer, vai ser no final dos anos cinqüenta ou sessenta, por aí. Jesse vai ter um pedaço da versão verdadeira do passado de Cassidy, conseguindo todas as coisas que Cassidy deixou.

Dillon: Você o viu na cama com Tulip.

Ennis: Você o viu na cama com Tulip, mas isso foi um tipo de gripe, disturbando um tipo de cena. Você vê sua mão se mexendo sorrateiramente. Mas honestamente, eu não acho que você vai vê-los fazendo sexo. A próxima vez que você o ver, Tulip vai dar um tiro nele.

Sequential Tart: o que vocês vão fazer depois de Preacher?

Ennis: Steve e eu temos um plano para fazer uma história, a qual a gente não pode entrar em nenhum detalhe porque ainda é apenas fluído. Steve me contou sobre isso talvez a uns sete ou oito anos atrás, e é algo que a gente quer fazer a algum tempo. Em parte, foi bom que a gente fez Hellblazer e Preacher esse tempo, porque foi aí que Steve me contou a história, eu sabia que eu teria que ser um escritor muito melhor que o que eu era naquela época para escrevê-la. Então, praticando um pouquinho esse tempo, eu estou pronto pra isso. É mais ou menos como Clint Eastwood quando ele pegou o roteiro de "Unforgiven" e pensou: "Eu vou esperar até eu estar absolutamente desesperado para fazer isso e eu vou ser um melhor ator para isso". É sobre quatro amigos e as quatro cidades de onde eles vieram. Muito simples. Um drama de pia de cozinha, sabe. Sem elementos pomposos. Nem nenhuma ação. É uma terra Natal, na verdade. Em fato, nós usamos [o título] Terra Natal para a história solo de Kit, o que nós achamos que seria um título brilhante para a história.

Dillon: Verdade. Mas a gente ainda não definiu um título para isso ainda.

Ennis: Nós temos um título de trabalho do qual a gente se refere a isso, mas não vai ser o título. A gente vai pensar em algo melhor do que isso.

Sequential Tart: Então vocês dois planejam trabalha juntos depois que Preacher acabar?

Dillon: se a gente não se odiar um ao outro depois disso.

Ennis: Eu tenho um pressentimento de que a gente sempre vai fazer coisas juntos. Quer dizer, eu não acho que vou escrever um título mensal novamente depois de Preacher e Hitman. Eu não acho que eu vá começar nada pretendendo apenas continuar isso até eu terminar. Acho que depois disso serão apenas one-shoots, mini-séries, e talvez uma ocasional fase em algo, como eu estou fazendo em Hellblazer agora. Mas eu não pretendo me envolver com outro título mensal.

Dillon: Bem, isso pode mudar. [Você pode] ter alguma idéia que precisa ser feita dessa forma.

Ennis: Ou se algo mais acabar. Então eu posso vir rastejando com minhas mãos e meus joelhos implorando por trabalho que todos os editores desligaram nos últimos dois ou três anos.

Dillon: (risada)

Ennis: Bem, a Mulher Maravilha é um personagem que eu acho que eu posso fazer porque eu tenho uma certa quantidade de respeito, se não pelo personagem, pela idéia por trás dela, Eu não acho muita coisa dos títulos do Super-homem atualmente, mas eu gosto da idéia do Super-Homem. Ele estará em Hitman logo, e eu tenho certeza que as pessoas vão pensar que ele vai ser vomitado e ridicularizado como o Lanterna Verde. Mas não, não mesmo, é um aparição respeitável.

Sequential Tart: Eu gostaria de conversar sobre projetos de direito autorais do criador contra os por contrato. Vocês provavelmente preferem fazer o projeto de vocês, certo? Como isso difere financeiramente?

Dillon: [Projetos de direitos autorais do criador] dão a chance de você colocar suas próprias idéias. Mas é muito divertido trabalhar em projetos de outro criadores. Quer dizer, antes de morrer, eu adoraria fazer o Batman. Eu não vou ganhar muito dinheiro por isso, a menos que venda muito bem. Mas é algo que eu gostaria de fazer. Em geral, projetos de direito autorais dos criadores é mais gratificante. Acho que é porque você pode começar os personagens pelo rascunho.

Ennis: Você consegue um pouco mais de dinheiro com esse projetos. Eu não sei como funciona em outras companhias, mas na DC você ganha os direitos autorais de criador; além de, no meu caso, você tem um direito autoral de escritor, e Steve um de artista.

Dillon: Eu tenho direitos autorais também em Preacher. No qual, na verdade, uma grande parte dos direitos vão.

Ennis: Sim, é mesmo. Em fato, quando algo como Preacher: o santo dos assassinos é publicado, Steve tem o direito autorais criativos enquanto Steve Pugh tem os direito autorais de artista.

Dillon: Meus direito são maiores que o de Steve [Pugh]. Não preciso mexer um dedo por isso.

Sequential Tart: Vocês ganham alguma coisa pelo merchandising?

Ennis: Sim. Isso varia dependendo de cada produto. O pôster, a camiseta, e as coisas assim a gente ganha bem. A estatueta de Preacher -

Dillon: Surpresamente bem feita.

Ennis: Provavelmente a coisa mais bonita que a gente já teve, é muito boa mesmo, eu diria. Vamos fazer outra.

Dillon: O motivo porque a gente acha que a gente quer fazer mais camisetas do que estatuetas é tipo... estatuetas são uma idéia pegajosa. A gente usa isso para pias de banheiro e coisas assim. É, na verdade, um tipo de trabalho muito legal. Ela vendeu muito melhor do que a gente pensava.

Ennis: Eu vi uma foto dela e pensei: "Oh, Deus", mas isso só durou até me mandarem uma delas e eu percebi que a foto era apenas uma foto terrível e que era uma estatueta muito legal.

Sequential Tart: Vocês dois parecem ir a várias convenções - mais do que vários outros criadores da Vertigo, e mais do que outras pessoas que eu tenho visto. É porque vocês gostam delas, ou por que eles te pagam para comparecer, ou é por outro motivo?

Ennis: A última meia dúzia de convenções americanas que eu compareci, sim, eu fui pago. A DC paga meu cachê, e é meio difícil não aparecer. Mas pra te dizer a verdade - até se a DC não tivesse me pagado esse ano, eu teria vindo de qualquer forma, porque eu tenho várias amizades que eu vejo uma vez por ano por quatro dias. (sorrisos maliciosos) Quatro dias de bebedeira intensiva, mas quatro dias sempre iguais. Matt Hollingsworth, Doselle Young, e pessoas assim. Eu até pagaria para vir aqui.

Dillon: Eu paguei por mim esse ano. Isso te dá mais liberdade. Se a DC te paga, você fica limitado as seis horas do dia. Eu gosto de mais liberdade. Eu fico algumas horas na cabina, e então ando por aí por onde eu quiser. Mas eu acho que é mais legal ver pessoas que eu nunca vi. Com os editores com quem eu trabalho, é como se eles fossem apenas voz no telefone do outro lado. Mas também, eu vejo alguns dos fãs. Eu gosto de conhecê-los - quer dizer, essas pessoas estão pagando o meu salário. Então eu gosto de assinar algumas hqs e fazer alguns rascunhos para eles.

Ennis: O que ajuda é a gente estar trabalhando em uma das hqs que mais vende da DC. A ração pela qual você não vê outros criadores da Vertigo, particularmente os britânicos, é porque seus títulos não estão vendendo muito bem. A DC decidiu, por essa razão, que não vale a pena trazê-los aqui. Agora, eu perguntaria o bom senso disso. Eu diria que é certamente melhor colocar as pessoas que vendem mais títulos aqui para melhorar ainda mais. Essa teria sido uma boa convenção para Warren Ellis porque ele e Daric poderia ter impulsionado as vendas de Trasmetropolitan. Bem, na verdade, Warren não quis vir. Mas é por isso que você não vê pessoas como Jamie Delano e Pete Milligan aqui - eles não estão fazendo nada no momento que venda bem, por isso a DC não sente a necessidade de trazê-los aqui.

Dillon: A DC tem seus próprios problemas em termos de onde colocar seu dinheiro. Quer dizer, não é o melhor mercado do mundo no momento. Eles têm pouco dinheiro. Todo mundo tem pouco dinheiro. Também, não tem nada para alguém fazer realmente.

Sequential Tart: Existe uma percepção comum que os títulos da Vertigo tendem a ser mais aclamados criticamente do que vender bem.

Dillon: Eles objetivam um mercado diferente. Quer dizer, os títulos de super-heróis objetivam crianças de cinco anos em diante, então isso não importa. De outro modo, nosso títulos objetivam leitores mais velhos. E por isso você ultimamente tem visto várias hqs serem cortadas porque elas só são compradas por pessoas com menos de 18. Então, proporcionalmente, eles estão indo muito bem com os títulos cortados como a gente tem cortados nós mesmos de uma grande parte do mercado. Preacher está rendendo cinqüenta mil por mês. É regular, sólido. Mas muitas coisas estão caindo. Tem algum que vendem mesmo sem você pensar que venderia. Então, considerando tudo, a Vertigo não está indo tão mal. Parece que ela tem seguidores fiéis, sem a mentalidade de colecionador. Nós temos leitores que querem ler isso e continuam lendo porque é um bom material.

Sequential Tart: Sem capas holográficas.

Dillon: A gente não precisa usar esses truques, mesmo. Quer dizer, isso ajudaria em algumas vendas, mas não realmente. Nós vendemos para pessoas que lêem isso, não apenas coleciona. Algumas pessoas esperam pelos encadernados atualmente ao invés de comprar os mensais.

Sequential Tart: Eu tenho notado que a Vertigo coloca muito mais encadernados no mercado do que a própria DC ou outras companhias.

Dillon: Nós vendemos bem em livrarias, não apenas em comic shops. Essa é outra coisa. Eles colocam vários encadernados em livrarias normais, então a gente está conseguindo vender bastante nesses meios. Há pessoas que nunca iriam para uma comic shop em suas vidas mas elas iriam para uma livraria. Elas gostam de comprar os encadernados. Eu acho que deve haver uma pequena tendência européia do mercado americano dessa maneira. Quer dizer, o Francês deve levar a sério vários materiais, mas eles estão objetivando a coleção completa no final do título. Então, você vai para uma comic shop francesa e encontra principalmente encadernados de graphics novel completas. Eu não acho que isso seja ruim. Eu acho que isso introduz as pessoas às hqs, pessoas que não tinham contato com uma hq desde os dez anos de idade. Eles pegam os encadernados das prateleiras e pensam: "Oh, isso é diferente". Não é apenas pessoas em colantes.

Sequential Tart: Garth, eu queria te perguntar sobre o seu contrato exclusivo com a DC. Por que você decidiu fazer isso e você está contente com essa decisão?

Ennis: Isso funcionou agora que eu estou fazendo menos hqs, tentando trabalhar em algum roteiros de cinema e coisas assim. Os únicos títulos que eu estarei fazendo serão Preacher e Hitman, e algumas outras coisas para a DC. Esse ano foi Hellblazer, ano que vem será Sgt Rock. Se isso é tudo o que eu vou ficar fazendo, por que não ganhar muito mais dinheiro fazendo o que eu ia fazer? Então eu decidi outro dia, assinar um contrato até julho de 1999 com o mesmo princípio. Existe uma garantia de trabalho. Se Preacher de repente descer pela privada, eles me dariam algo mais para fazer. Isso pode não ser o que eu quero mas, você sabe...

Sequential Tart: Você não teria que se preocupar em pagar o aluguel.

Ennis: É, exatamente. Embora, para ser honesto com você, isso não é algo que me preocupa muito. Eu só quero continuar com Preacher e Hitman e que fique tudo bem.

Sequential Tart: Steve, você tem feito vários projetos para outras companhia que não a DC recentemente, como Gen 13. Você gosta de fazê-los e você se vê fazendo mais projetos como esse?

Dillon: O Garth está em uma posição onde ele pode trabalhar em quatro projetos diferentes. Então ele pode conseguir variedade no que ele faz. Um título mensal, especialmente se você está arte-finalizando e desenhando, é quase um emprego integral. Eu sou sortudo por ser rápido o suficiente para me adaptar em outros projetos. Algumas vezes é legal ter uma chance. E você não percebe muita diferença de Preacher para Gen 13. Eu gosto de me entrosar com projetos assim. É parte da razão pelo qual eu não quis um contrato exclusivo com a DC. A Image paga muito bem. É legal fazer apenas um trabalho para eles e ganhar bastante dinheiro. A mudança é boa. Eu gostaria de fazer mais isso. Eu estou feliz em fazer Preacher mas você sempre precisa pensar em fazer algo mais.

Sequential Tart: Steve, uma vez você me disse que você se sente como se você tivesse feito seu trabalho da maneira correta se você não escuta comentários sobre a sua arte.

Dillon: Em Preacher. Eu não fico chateado se as pessoas não comentam o que eu fiz. É um projeto que trata do desenvolvimento de um personagem, o desenvolvimento de um diálogo. Não precisa de uma arte exuberante. Uma arte exuberante pode estragar isso. Existem certamente algumas cenas onde a arte tem que ter algum impacto, mas é normal. Quer dizer, Garth vai me dar nove páginas de pessoas sentadas em um lugar conversando e ele não quer os leitores distraídos com algo além da conversa. Eu não ligo pra isso. Então, não são nove páginas de luta; é diferente. Mais informações têm que vir junto. Mas não, são apenas nove páginas de pessoas sentadas conversando. Outros artistas poderiam ficar louco com isso mas eu gosto.

Sequential Tart: O que, sem páginas exuberantes?

Dillon: Só porque é mais fácil de fazer e dá mais grana. [Garth] me dá algumas delas. Havia uma do Monumento Valley, a qual foi muito legal de fazer.

Sequential Tart: A propósito, Garth me mandou cópias em preto e branco de seu trabalho das edições de "War in the Sun". Sua arte fica fantástica dessa maneira.

Dillon: Eu comecei desenhando em preto e branco. Eu vim da última geração a trabalhar em preto e branco na 2000 AD. Então você aprende uma maneira diferente de fazer as coisas. Eles usam muito menos preto desde então, porque existem as cores e você tem que deixar espaço para isso. (sorrisos maliciosos) Eu também sou preguiçoso demais e deixo Pam [Rambo] fazer algum trabalho na coisa.

Sequential Tart: Parece que Preacher tem várias leitoras femininas. Tem alguma idéia por quê?

Dillon: Bem, vários títulos da Vertigo em geral têm.

Ennis: Eu acho, para ser honesto, várias mulheres respondem a Tulip. Mas esse é o limite de análise das leitoras femininas que você vai ter de mim. Porque toda vez que eu vejo um cara - um escritor - e começo a comentar sobre suas leitoras femininas, ele sempre me responde como um senhor John de primeira classe. Eu acho que eu parodiei isso em um ponto de Preacher onde a Tulip se encontra com sua amiga Amy e Amy tem saído com esse escritor cuzão. E ele dizia: "Eu sempre tento enfatizar com o sofrimento feminino" e esse tipo de coisa. E é isso que eu acho desse tipo de pessoa, por isso eu não vou fazer mais nenhum comentário sobre isso ou analisar esse tipo de fenômeno. Tudo que eu posso dizer é: eu estou muito feliz que elas estejam lá, sabe.

Dillon: Eu acho que vários quadrinhos de sucesso não simpatizam com as mulheres porque aquela é a fantasia masculina para super-heróis. Mas, em geral, coisas assim irão afetar mais as leitoras femininas. Preacher é mais desenvolvimento do personagem do que desenvolvimento da ação.

Sequential Tart: Eu tenho sido da opinião por um tempo de que as hqs são como óperas condimentadas. Hqs tem mais elementos fantásticos, mas tem uma história de drama. Alguns mais que outros mas ainda são regularmente seriais.

Dillon: A maioria de nós acha que a gente tem mais em comum com o formato tv do que com o de filmes. Mas super-heróis, os melhores super-heróis, tendem a ser mais como óperas condimentadas, como os X-Men, e o material velho de Homem-Aranha. Mas, essa é uma série de continuidade eterna. Nós fazemos uma história definitiva com um final definitivo, então ópera condimentada é um termo antiquado para nosso trabalho. Mas a gente tem o sub-roteiro dos personagens em nossas histórias. Isso é verdade.

Ennis: Hitman tem uma forte característica de ópera condimentada. Ou terá, uma vez que o relacionamento de Tommy com Tiegel continuar crescendo. Vão haver várias lutas. Ela consegue um emprego no zoológico. Ele vai atrás dela e ela o engana o jogando pelado em um jaula de leão e coisas assim. Mas, sim, Hitman tem um pouco disso - com os garotos sentados em volta do bar falando besteira sobre merda nenhuma. Por isso eu concordo com você, eu acho que provavelmente você está certo.

Sequential Tart: Que projetos estão por vir?

Ennis: Hitman/Lobo um one-shoot ano que vem desenhado por Doug Mackie, estrelando Section 8. E eu tenho que quebrar a minha cabeça para bolar um bom diálogo. Eu acho que eu estou quase pronto para fazer uma paródia com Lobo, só que é o Lobo, entende. Tem um pacote com seis histórias do Super-Homem formato gigante. Tem uma história de Hellblazer na Winter Special esse ano. Tem uma edição dupla, no formato Prestige desenhada por Christian Allame e Ross Pete. Além disso eu pretendo fazer Sgt Rock. E é por aí, ainda tem uma provável história, Weird War Tales que a gente espera fazer por Axel Alonso, que Steve vai desenhar.

Sequential Tart: Vai haver outra Weird War Tales?

Ennis: Sim, uma one-shot. Nós estamos juntar material suficiente para outro encadernado, sabem porque a gente tem quatro edições até agora, e umas 48 páginas fariam isso. É o suficiente.

Dillon: Para mim é apenas Preacher no momento, mesmo. E essa Weird War Tales quando ela vier. E também há vários talvez mas eu não vou contar porque eu não sei o que vai acontecer.

Sequential Tart: Tem algum escritor ou desenhista novo que vocês acham que está fazendo um ótimo trabalho, que nosso leitores deveriam ficar de olho?

Ennis: Eu diria Doselle Young e especialmente Brian Azzarello. Quando eu li sua história em Weird War Tales no último ano, eu realmente percebi que o cara tem um bom distinto, um voz em seu material. Sabe, original? Eu diria que ele é o mais interessante escritor novato nos últimos cinco anos.

Dillon: Eu não tenho mesmo tido tempo de dar uma olhada no que está sendo lançado. Eu estou tentando fazer isso agora. Mas realmente, eu não leio muitas hqs ou fico em contato com o que está acontecendo, por isso eu não sei.

Sequential Tart: Você acha ruim trabalhar com hqs e não ter tempo para lê-las?

Dillon: Bem, não. É que você tem tanto trabalho que você fica desenhando umas 12 horas por dia. A última coisa que você quer ver quando termina é ler hqs. É como Garth estava dizendo. Você trabalha e então faz algo completamente diferente. Quando tiver mais fácil, sim. É parte do trabalho se manter por dentro do que outras pessoas estão fazendo. Mas eu não tenho tido tempo de fazer nada mais, nada mais além do que hqs.

Sequential Tart: Garth, você lê vários materiais e segue títulos. O que você está lendo ultimamente?

Ennis: Em termos de livros, eu li o novo do Stephen Hunter, o que é maravilhoso. É chamado Plan to Hunt (Plano para Caçar). Tem um novo do Joe Lansdale saindo. O último de Cormac McCarthy foi incrível e bonito como sempre. Aquele cara é meu herói de todos os tempos, provavelmente. Eu vejo outros caras como Stephen Hunter, Joe Lansdale, Larry McMurtry. Eu acho esses caras incríveis, e talvez um dia eu vou fazer algo tão bom quanto - o que eu considero tão bom quanto - o que eles têm feito. Mas McCarthy é como... Eu olho pra ele e penso que eu nunca, nunca serei tão bom. É isso é bom porque, sabe, se um dia eu for - Deus me perdoe - mas se um dia eu fizer algo tão bom, isso tiraria a minha visão sobre ele, tiraria o orgulho. Isso seria chato para mim, eu acho. Ele é apenas uma alegria de se ler, entende.

Sequential Tart: Última pergunta. Garth, você ainda quer se mudar para os EUA?

Ennis: Sim, daqui um bom tempo, sim. Definitivamente. Passar mais tempo em Nova York, então talvez algum lugar de Boston ou algo assim... planos de longa data.